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quarta-feira, 31 de março de 2010

Serralves despede

Museu de Serralves, Porto (sítio web)

“A Fundação de Serralves dispensou 18 colaboradores que asseguravam as várias valências dos serviços de recepção aos visitantes, incluindo atendimento ao balcão, bilheteira, bengaleiros e telefonista. Os visados, que, segundo a directora de recursos humanos, Cristina Passos, serão “cerca de 15″, receberam na semana passada uma carta da directora-geral, Odete Patrício, na qual esta os informava de que os respectivos “contratos de prestação de serviço” cessariam no próximo dia 12 de Abril” — in Público.

Ora aqui está uma fonte de inspiração para os  artistas pós-conceptuais da nossa praça! Talvez algum curador queira também abordar este tema numa próxima exposição… no Museu de Serralves!

Há já uns anos que venho dizendo que os museus de arte “contemporânea” terão que evoluir para Centros de Arte Comunitária, pois as bases históricas, económicas e sócio-culturais do museu convencional (de que o dito “museu de arte contemporânea” é um sucedâneo) morreram!

Disse-o numa conferência na Caixa de Barcelona em 2005, depois de reparar no número dos sem-abrigo que viviam nas imediações da fundação cultural mais rica de Espanha. Dois anos ou três anos depois a Caixa mudava de estratégia…

Entre nós, país falido (nas empresas, no Estado e nas famílias), mais cedo ou mais tarde, de forma indecorosa, ou com inteligência e humanidade, abandonaremos o cosmopolitismo burocrático que há décadas vem pervertendo a formação de uma autêntica elite criativa.

Os modelos especulativos da Ellipse Foundation (uma verdadeira Fundação Eclipse), e do Museu Berardo, a experiência falhada à nascença do desmiolado  Museu do Chiado, e agora Serralves (um museu subsidiado directamente pelo Estado, e indirectamente por grandes empresas que vivem do Estado) chegaram ao fim.

Vamos precisar de discutir estas matérias quanto antes. Pois o futuro imediato pode cair que nem uma bomba sobre tudo isto!

Meter a cabeça debaixo da areia seria a pior solução.

PS: voltarei a este tema em breve — 31 março 2010.

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