sábado, 6 de dezembro de 2014

O regresso da estatuária bronzeada

Maqueta 3D para estátua a Mário Soares. Autor: Leonel Moura, 2014

A decadência é terrível

por ANTÓNIO CERVEIRA PINTO

Exemplo de 'arte conceptual' degenerada até à estatuária mais conservadora. 

Quem diria!
 

Já o 'povere' Pedro Cabrita Reis andou no século passado a fazer estátuas a autarcas—curiosamente no mesmo ano em que era levado em braços até Veneza, um dos dossiês mais sórdidos do dirigismo cultural indígena.

Que se passa na arte oficial portuguesa? Nada.

O Mário Soares deve estar horrorizado. Qualquer criatura que mereça uma homenagem totémica gostaria de ser representado no tempo da pujançla que um dia foi sua, não na decrepitude. 


Que raio de deriva mórbida! 

Espero bem que o sargento Costa não chegue a PM, ou voltaremos a ter o país pejado de lixo estético neo-realista, perdão, neo-neo-neo-neo-conceptual-3D e dourado à brava. Ou não estivessemos cada vez mais enamorados do novo-riquismo angolano e chinês.

4 comentários:

  1. Caro António. Isto é um simples retrato (e não uma estátua). Só que em 3D (feito com um scanner 3D, sabes o que é?). Como aliás fiz outros e do próprio Soares ao qual na altura fizeste um grande elogio. De qualquer modo é notável que digas tão mal deste trabalho, mas não tenhas uma palavra a dizer da arte que tenho produzido desde finais dos anos 90, com inteligência artificial e robótica, realmente inovadora e única no panorama português e já agora também a nível internacional. Basta estar atento e não só destilar ódio.

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  2. Caro Leonel, a proximidade com a ciência tem os seus perigos. Um deles é a armadilha do realismo tecnológico, outro, é o da apropriação oportunista (não é o teu caso...). Não é ódio aquilo que destilo, mas crítica. Quanto ao teu trabalho com a inteligência artificial e a robótica, tenho a certeza que, afastando os namoros sempre infelizes com o poder, se encontram verdadeiras pepitas de boa arte. Se pusermos a política de parte, onde temos metodologias antagónicas, até podemos almoçar filosoficamente, como tantas vezes fizemos, sobre arte, a arte de que tanto gostamos e sobre a qual tanto pensamos. Quando qusieres ;) Um abraço.

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    1. Combinamos. Mas não falamos de política...

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