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domingo, 16 de novembro de 2014

Faltam neurónios na DGArtes


Está-se mesmo a ver o João Fernandes a comissariar a presença de Espanha na Bienal de Veneza

por ANTÓNIO CERVEIRA PINTO

O senhor Samuel Rego, que veio do Instituto Camões para a DGArtes, teve a ideia original de convidar uma 'expert' espanhola de arte 'contemporânea' para comissária da representação portuguesa na próxima Bienal de Veneza. A comissária María Corral e o artista por ela convidado, João Louro, são obviamente pessoas respeitáveis e com provas dadas. Mas a decisão do original diretor nomeado por Jorge Barreto Xavier (que tem, aliás, feito um bom trabalho na Cultura) não deixa de ser ridiculamente provinciana, se não for coisa pior. Há regras de decência de estado mínimas que devem ser respeitadas nos atos oficiais. A escolha de um representante oficial da arte portuguesa num evento internacional cuja participação nacional é da responsabilidade do governo português, tem que conhecer as fronteiras do país!

POST SCRIPTUM
15 nov 2014, 23:54 WET

Escreveram-me confidenciando que não teria sido María Corral, aliás dona de uma empresa especializada em curadoria de exposições (ExpoActual), a escolher João Louro, mas o inverso, ou seja, João Louro a escolher María Corral. Mas então quem é que escolheu João Louro? O senhor DGArtes?

Se foi assim, além de constituir uma prova de intolerável dirigismo cultural, tal hipótese não é consistente com a lógida da Bienal de Veneza, nem de qualquer outra bienal, pois todas têm entidades organizadoras, um comité artistico ou executivo qualquer que seleciona o comissário, e este, depois, apresenta uma visão, define critérios e escolhe/convida o ou os artistas que deseja mostrar. É assim em toda a parte, que eu saiba, Documenta incluída. No caso português, se o senhor DGArtes escolhesse ele mesmo o artista e depois este escolhesse o comissário, estaríamos perante uma aberração cultural e perante uma subversão dos processos de legitimação sem precedentes. Estaríamos, na realidade, perante um flagrante caso de conúbio e corrupção.

POST SCRIPTUM 2
16 nov 2014, 13:49 WET

Ao que parece a presença de um artista português na Bienal de Veneza deixou de ser uma questão de critério, de regras institucionais claras, ou sequer de decência do estado, traduzindo apenas o tamanho de um cheque. Neste caso, o cheque que suportava a candidatura do Louro foi maior do que o cheque que suportava a candidatura do....

“A coisa agora está a este nivel, 2 artistas foram bater à porta da dgartes, levavam consigo o projecto e o apoio garantido e quem iriam escolher ou, no caso, alugar para curador... o Louro levou um cheque chorudo do Mexia da EDP e ganhou... portanto, a conclusão é simples: a representação agora é uma compra... simples... Tudo o resto é um comunicado que é uma enorme mentira. María Corral não escolheu João Louro!

O outro artista que também lá foi bater à porta perdeu... levava um cheque mais pequeno... e o curador que tentou convencer a alinhar com ele no cozinhado... recusou, por questões éticas.

Mas pronto, pelo menos a coisa está clara: o lugar na, ou nas bienais, compra-se.”

Atualização: 16 nov 2014 13:59 WET

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